22 Março, 2010
| #8 A Obra |
"De repente você volta a respirar, volta a ter ar de verdade em volta do seu corpo, no seu pulmão, o vento frio da madrugada, luz, espaço. A libertadora sensação de subir a escada d´A Obra e ir embora pela rua Rio Grande do Norte não era nova. Mas naquela madrugada eu entendi tudo.
Entendi o que era viver nessa cidade em que nada acontece na superfície, tudo acontece por baixo, no escuro. Numa cidade pesada, onde a gente não tem ar, onde a gente se esbarra sufocado e se beija procurando vida na boca mais próxima.
Depois de oito meses a Julia tinha voltado. Eu não tinha reação. Alguma coisa deu errado na França, alguma decepção com a Torre Eiffel ou com o mauricinho francês. Pra mim não fazia mais diferença. Ela já não era mais uma pessoa, era um fantasma, um imã que me puxava pra baixo e pra cima. Pra cima e pra baixo."
(
@ortegopolis ~
Porra, BH ou 10 lugares pra te conhecer antes de morrer)